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FAN x HEP-2

As células HEP-2, como substrato da reação de imunoflorescência, possuem grande sensibilidade para secção de tecido e fornece um padrão definido de reconhecimento e detecção de auto-anticorpos contra antígenos do núcleo, da membrana celular, do nucléolo e outros localizados no citoplasma.

As células HEP-2 permitem reconhecer auto-anticorpos contra estruturas protéicas expressas no aparelho mitótico e no núcleo nas diferentes fases do ciclo celular, tais como proteínas do centrômero, as que se expressam durante a proliferação (PCNA), proteínas F do centrômero (CEMP - F) e inúmeras outras.

O anti-centrômero e anti-PCNA são anticorpos detectáveis somente em HEP 2.

O FAN (pesquisa de anticorpos antinucleares), é um exame consagrado na triagem de doenças reumáticas e, em específico, do lupus eritematoso sistêmico - LES. Por ele, é possível identificar auto- anticorpos contra diversos antígenos extracelulares e com a introdução da célula Hep-2, foi possível também, que alguns antígenos como SS - A/Ro, que não são expressos adequadamente nas células de cobaias (ratos ou camundongos), pudessem ter seus respectivos auto-anticorpos reconhecidos com maior facilidade e sensibilidade, embora não tenham alta especificidade.

Um item importante é a marcação dos cromossomos na placa metafásica , pois ela é uma estrutura que apresenta apenas a cromatina, histonas e as proteínas a ela relacionadas. Dessa forma, anticorpos contra DNA, histonas, cromatina e DNA Topoisomerase I (Scl-70) apresentarão marcação invariavelmente na placa metafásica.
Por outro lado, anticorpos contra antígenos associados ao RNA (Sm, U1 - RNP, SS - A/Ro, SSb/LA) não coram a placa metafásica, passando resultado falso negativo.

MARCADORES ESPECÍFICOS

Anti-SSa/Ro:
São anticorpos contra o antígeno Ro, que é uma proteína citoplasmática pequena ligada ao RNA, cuja função é desconhecida. Este anticorpo está presente em cerca de 70% dos pacientes com síndrome de Sjogren primária. Já na Sj associada a artrite reumatóide está presente em 40% dos casos. Estes anticorpos também ocorrem em 30% dos pacientes com LES, onde marca as formas de lupus neonatal, lupus subagudo cutâneo e na síndrome do anticorpo antifosfolípide. Como o antígeno Ro não é encontrado em tecidos de rato, substrato comumente usado para realização do FAN, leva a resultados FAN negativos, tornando-se positivo apenas quando se utliza células humanas (Hep-2). Isto ocorre numa incidência de l a 2%.

Anti-SSb/La:
Também são anticorpos contra partículas protêicas do RNA que parecem participar como um co-fator para a RNA polimerase. O anti-La geralmente acompanha o anti-Ro. A presença de ambos no LES é geralmente associada a uma doença mais leve do que quando o Ro está presente isoladamente. O SSb/La ocorre em mais da metade dos pacientes com Sj e no LES em 15%. Este raramente é visto em outras doenças do tecido conjuntivo.

Anti-Sm:
O anticorpo anti-Sm (Smith, nome do primeiro paciente em que foi reconhecido), possui alta especificidade para o LES, porém sua sensibilidade nestes pacientes é de apenas 25 a 30 %, geralmente durante a fase aguda da doença. Raramente aparece em outras desordens. Alguns estudos associam a sua presença com nefrite branda de surto benigno, outros o associam com envolvimento do SNC, quando manifestação única do LES.

snRNP:
O anticorpo anti-snRNP aparece em baixos títulos no LES, lupus discóide, artrite reumatóide, síndrome de Sjogren e lupus induzido por droga. Está presente nas formas benignas do LES. Altos títulos de RNP, na ausência de anti-Sm, são fortemente sugestivos de doença mista do tecido conjuntivo (DMTC), que se manifesta clinicamente por acometimento cutâneo do tipo esclerodérmico, miosite e sinovite tipo reumatóide, onde aparece em 100% dos casos.

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